Terça, 11 de Agosto de 2020 01:25
83 986952059
Saúde SAÚDE

A educação: a realidade e a pós-pandemia

A pandemia está nos mostrando que não temos uma solução mágica e imediata para a educação

29/07/2020 08h06
258
Por: João Andrei
A educação: a realidade e a pós-pandemia

O Brasil está entre os países com os maiores números de casos confirmados e de mortes pela COVID-19 no mundo. E é fundamental que os agentes públicos sigam rigorosamente as orientações técnicas e científicas das entidades colocando a vida das pessoas sempre em primeiro lugar! Foi desta forma que, a Educação foi um dos primeiros seguimentos a parar suas atividades presenciais, nós temos cerca de 55 milhões de estudantes matriculados somente na educação básica, seja ela pública ou privada, além dos profissionais envolvidos no trabalho escolar, o que corresponde a mais de 25% da população do Brasil. (Sinopse Estatística da Educação Básica/Censo Escolar 2019 - INEP/MEC). Isso torna, a escola um dos espaços de maior risco de proliferação da COVID-19 e requer um cuidado extremo para evitar mais surtos de contaminação, para se ter uma ideia as escolas públicas estaduais e municipais concentram mais de 38 milhões de alunos matriculados, soma-se a esses mais de 2 milhões de professores e de funcionários na educação mais de 1,9 milhões, destes dados retiro as escolas federais e particulares que possuem uma outra realidade de investimento e infraestrutura. Quando olhamos os números das escolas públicas, podemos ter aa dimensão da quantidade das escolas estaduais e municipais, temos hoje no Brasil mais de 30 mil escolas estaduais, onde aproximadamente 25 mil unidades estão nas áreas urbanas e quase 5,5 mil das escolas são da área rural, nas esferas municipais esses números são bem maiores, temos quase 60 mil escolas nas áreas urbanas e aproximadamente 50 mil unidades nas áreas rurais, mas por que esse levantamento de dados para falarmos de educação e pensarmos nos passos na pós-pandemia?  

A pandemia está nos mostrando que não temos uma solução mágica e imediata para a educação, se antes buscávamos proporcionar uma Educação Pública de qualidade e igualitária, hoje essa realidade terá de ser mais contundente e chegarmos a uma luz para o período pós-pandemia, com investimentos, na saúde, investimento no capital humano (professores e profissionais da educação), estrutural e tecnológico, buscando a garantia de acesso e permanência igualitários na escola que são princípios de base constitucional. O direito à educação para todos e todas nos exige ações pautadas na equidade, que se traduz em igualdade de direitos às populações que acessam principalmente as escolas públicas municipais e estaduais.

É dever das esferas públicas, não permitir que nichos sociais de maior renda se aproveitem da pandemia para obter vantagens adicionais sobre as camadas sociais mais vulneráveis. Desta forma, os sistemas de ensino precisam levar em considerações as desigualdades socioeconômicas e regionais e compreender que nem todas as escolas, levando-se em conta à luz das realidades de seus estudantes e profissionais estão aptas a desenvolverem trabalhos de forma remotas que se caracterizam em instrumentos pedagógicos para o momento especificamente da pandemia, desta forma, é necessário que as unidades escolares, através de seus profissionais, acompanhem minuciosamente o acesso dos estudantes e realizem a avaliação dos conteúdos ministrados durante a pandemia com a finalidade de assegurar uma qualidade com equidade na educação escolar. Para termos uma ideia e percebermos o abismo educacional; segundo dados da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), as crianças e adolescentes na faixa etária de 9 a 17 anos, 66% deles não se conectam a Internet em ambientes privados, quando esses números fazem referência aos alunos da zona rural esse dado dá um salto para 82%, e seguimos neste abismo, não tem acesso à internet 70% dos estudantes das classes D e E; 67% dos estudantes da classe C e 58% nas classes A e B.

Quando tratamos da dificuldade para o sucesso da Educação à Distância, semi presencial ou remota no país, pegamos como base as pesquisas da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2018 e da TIC Kids, elas nos indicam que o nosso gargalo para uma educação EaD ou remota é que temos alunos e alunas residindo em casas sem espaços físicos para estudar e sem saneamento básico, mais de 17% das crianças de 0 a 14 anos moram em residências que não têm acesso à rede de abastecimento de água e mais de 40%, não tem sistema de esgoto. Em casas em que não há acesso à internet, essa realidade é mais cruel, quase 30% não tem rede de água e 60% não tem esgoto. Se falta água e esgoto para as casas dos nossos estudantes, imaginem falarmos de computadores ou notebooks, as mesmas pesquisas indicam que os equipamentos mais presentes nos lares de nossos estudantes é o televisor, presente em 96% dos lares, destes apenas 9% com TV fechada, mas e o celular? Ele está presente em 84% dos lares, o problema de acesso pelo celular é na maioria das vezes a péssima e/ou falta de cobertura (sinal) das operadoras principalmente em áreas periféricas, cidades pequenas ou nas áreas rurais, como também temos a pouca e/ou péssima qualidade da internet e seus custos. No Brasil quase 80% da população de uma forma ou de outra tem acesso à internet, mesmo precária, mas no Nordeste esse índice caia para 70%. Temos mais agravantes para nossa educação à distância ou remota além de termos um distanciamento entre o acesso a rede entre as áreas urbanas e rurais, temos também a carência de tecnologias dos docentes, onde, aproximadamente 40% segundo o Instituto Península, realizaram alguma atividade relacionada ao uso da internet na educação quando estavam se formando na Universidade.

O Instituto Península, realizou essa pesquisa entre abril e maio deste ano, com quase 8 mil docentes de todo o Brasil e chegou à conclusão que 83% ainda se sentem despreparados para ensinar à distância, como também 77% dos professores de escola pública não participaram de cursos sobre o uso de computadores nas atividades escolares.

Nossa realidade está distante de muitos países e é dura de se encarar, mas, ela é necessária para buscarmos as mudanças profundas que devem ser geradas e aceleradas na educação, como já falamos faltam computadores, aparelhos de telefonia móvel, softwares e Internet de boa qualidade, dentre outros recursos. Pessoas com deficiências físicas não têm conseguido acompanhar as aulas remotas e desenvolver as atividades propostas, que não foram adequadas para permitir o acesso universal, a interrupção das aulas presencias nos levou a adotarmos soluções digitais que buscam imitar o que poderia acontecer numa sala de aula presencial, porém fica claro que, uma educação de aprendizagem e de qualidade não será desta forma. Educação não é gasto é investimento, e esse investimento não deve ser apenas na educação diretamente, para se ter um resultado de melhoras na qualidade e no aprendizado, deve-se investir em saúde, com saneamento básico, numa melhoria do acesso à internet e a telefonia, nas melhores condições de transporte dos estudantes das áreas rurais, nas vias de acesso (estradas), acesso à uma merenda de melhor qualidade, melhorias nas estruturas das unidades escolares, possibilitando as crianças e adolescentes terem acesso básico das tecnologias.

Nesse universo não podemos esquecermos o investimento no docente e nos profissionais da educação, com capacitação prévia que será fundamental para uma atuação competentemente nesse novo mundo. O planejamento das atividades, a implantação de gestões democráticas nas escolas, a concepção de novas formas de avaliação, a produção e disponibilização organizada de objetos de aprendizagem se somam à mediação que privilegie a participação mais colaborativa e menos centrada nas aulas expositivas.

relacionada ao uso da internet na educação A educação permanecerá exposta e vulnerável, se buscarmos simplesmente reverter ao que fazíamos antes da crise da escola vazia ou formos nos basearmos diretamente no que estamos praticando hoje de forma emergencial devido a pandemia do COVID-19.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Prof. João Andrei
Sobre Prof. João Andrei
Coluna do Professor e Historiador João Andrei Dantas. Todos os artigos e publicações nessa coluna são de responsabilidade do mesmo. Mestrando em Educação pela Universidad Autónoma de Asunción - Paraguay (UAA), licenciado em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Especialista em Práticas Pedagógicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Professor da rede municipal de Fagundes e do Estado da Paraíba.
Anúncio
Fagundes - PB
Atualizado às 01h16 - Fonte: Climatempo
19°
Poucas nuvens

Mín. 18° Máx. 28°

19° Sensação
13 km/h Vento
91.2% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (12/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 19° Máx. 29°

Sol com algumas nuvens
Quinta (13/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 19° Máx. 29°

Sol com algumas nuvens
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias